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quinta-feira, 19 de abril de 2007

DANTON, O PROCESSO DA REVOLUÇÃO


RESUMO
Durante a fase popular da Revolução Francesa, instala-se o período do "terror", quando a radicalização revolucionária dos jacobinos encabeçada por Robespierre inicia um violento processo político com expurgos, manipulação de julgamentos e uma rotina de execuções pela guilhotina.Danton, líder revolucionário, critica os rumos do movimento, tornando-se mais uma vítima do terror instalado por Robespierre.
CONTEXTO HISTÓRICONa segunda metade do século XVIII, a história ocidental vive a passagem da Idade Moderna para Contemporânea, quando a crise do Antigo Regime foi agravada pela difusão dos princípios iluministas que marcaram as revoluções burguesas (Industrial, Americana e Francesa).A Revolução Francesa foi o principal movimento político e social do século XVIII. Seu caráter democrático e liberal é representado pela ascensão política da burguesia e pela participação de camponeses e artesãos, na luta contra os vestígios feudais do Antigo Regime.O principal período da revolução, foi a fase popular (1792-940) quando o país foi governado por uma nova assembléia denominada Convenção. Essa etapa conhecerá o chamado "terror", a ditadura dos jacobinos (corrente política liderada pela pequena burguesia aliada ao povo, que defendia um caráter mais popular para a revolução).Esses, comandados por Robespierre e Saint-Just, instalaram o "terror" após o assassinato do líder jacobino Jean Paul Marat. Era junho de 1793, o ano I da recém proclamada República. Com o Comitê de Segurança Nacional, que garantia a segurança interna, e o Tribunal Revolucionário, encarregado de julgar supostos contra-revolucionários, o terror revolucionário se espalhou por toda França.Robespierre liderou o movimento, mantendo-se no poder com apoio dos grupos mais extremistas de esquerda, como os hebertistas, seguidores de Hébert, que defendiam a ampliação das medidas de violência. Apesar da ditadura, é nessa fase que ocorre uma série de avanços populares, como a abolição da escravidão nas colônias francesas, o sufrágio universal, a obrigatoriedade do ensino, o aumento dos impostos dos ricos e o confisco de bens dos nobres e dos emigrados. Esses avanços provocaram uma reação contra-revolucionária, contida com milhares de julgamentos, onde o Tribunal Revolucionário dominado pelos jacobinos era a lei. Em menos de um ano, foram condenados à morte na guilhotina mais de 20 mil suspeitos.No início de 1794, o Terror atinge os próprios membros da Convenção. Os indulgentes, grupo revolucionário chefiado por Georges Danton, pediam o fim das perseguições, temendo que a onda revolucionária pudesse envolvê-los. No início de 1794, Robespierre, contra sua vontade pessoal, condenou Danton à morte visando eliminar todas oposições. Após alguns meses, fragilizado e isolado politicamente, Robespierre foi aprisionado juntamente com Saint-Just, sendo em seguida, ambos condenados à guilhotina. Iniciava-se uma outra etapa da Revolução Francesa, representada pelo restabelecimento da alta burguesia (girondinos), no poder.
TÍTULO DO FILME: DANTON, O PROCESSO DA REVOLUÇÃO (Danton, FRA/Polônia 1982)DIREÇÃO: Andrzej Wajda
ELENCO: Gérard Depardieu, Wojciech Pszniak. 131 min. Pole Vídeo

Amistad

TEMÁTICA

Em 1839 dezenas de africanos a bordo do navio negreiro espanhol La Amistad matam a maior parte da tripulação e obrigam os sobreviventes a leva-los de volta à África.Enganados, desembarcam na costa leste dos Estados Unidos, onde, acusados de assassínios, são presos, iniciando um longo e polêmico processo, num período onde as divergências internas do país entre o norte abolicionista e o sul escravista, caracterizavam o prenúncio da Guerra de Secessão.

CONTEXTO HISTÓRICO
O filme mostra o processo de julgamento de negros nos Estados Unidos, 22 anos antes do início da Guerra Civil, num contexto marcado pelo expansionismo em direção ao Oeste e pelo acirramento das divergências do norte protecionista, industrial e abolicionista, com o sul livre-cambista, agro-exportador e escravista.Na passagem do século XVIII para o XIX, os Estados Unidos recém-independentes formavam uma pequena nação, que se estendia entre a costa do Atlântico e o Mississipi. Após a independência, o expansionismo para o Oeste foi justificado pelo princípio do "Destino Manifesto", que defendia serem os colonos norte-americanos predestinados por Deus a conquistar os territórios situados entre os oceanos Atlântico e Pacífico. A crescente densidade demográfica, a construção de uma vasta rede ferroviária iniciada em 1829 e a descoberta de ouro na Califórnia em 1848, também representaram um estímulo para conquista do Oeste.A ação diplomática dos Estados Unidos foi marcada por um grande êxito nas primeiras décadas do século XIX, quando através de negociações bem sucedidas os Estados Unidos adquirem os territórios da Lousiana (França), Flórida (Espanha), além do Oregon (Inglaterra) e até o Alasca da Rússia, após a Guerra de Secessão.Em 1845, colonos norte-americanos proclamaram a independência do Texas em relação ao México, iniciando-se a Guerra do México (1845-48), na qual a ex-colônia espanhola perdia definitivamente o Texas, além dos territórios do Novo México, Califórnia, Utah, Arizona, Nevada e parte do Colorado. Destaca-se ainda a incorporação de terras indígenas, através de um verdadeiro genocídio físico e cultural dos nativos.O intenso crescimento do país, acompanhado de uma grande corrente de imigrantes europeus atraídos pela facilidade de adquirir terras, torna ainda mais flagrante, o antagonismo entre o norte e o sul. No norte, o capital acumulado durante o período colonial, criou condições favoráveis para o desenvolvimento industrial cuja mão-de-obra e mercado encontravam-se no trabalho assalariado. A abundância de energia hidráulica, as riquezas minerais e a facilidade dos transportes contribuíram muito para o progresso da região, que defendia uma política econômica protecionista. Já o sul, de clima seco e quente permaneceu estagnado com uma economia agro-exportadora de algodão e tabaco baseada no latifúndio escravista. Industrialmente dependente, o sul era ferrenho defensor do livre-cambismo, mais um contraponto com o norte protecionista.Essas divergências tornam-se praticamente irreconciliáveis com a eleição do abolicionista moderado Abraham Lincoln em 1860, resultando no separatismo sulista, iniciando-se assim em 1861 a maior guerra civil do século XIX, a Guerra de Secessão, também conhecida como "Guerra Civil dos Estados Unidos", que se estendeu até 1865 deixando um saldo de 600 mil mortos.

TÍTULO DO FILME: AMISTAD (Amistad, EUA, 1997)
DIREÇÃO: STEVEN SPIELBERGELENCO: Morgan Freeman, Anthony Hopkins, Matthew McConaughey, Nigel Hawthorne, Djmon Housou, David Paymer, Anna Paquin; 162 min.

Joana d'Arc

RESUMO
O filme retrata a figura de Joana Dâ?TArc, através de uma aventura estilizada e uma versão mais humanizada do mito que se tornou a jovem de origem camponesa que conseguiu exaltar o nacionalismo francês, na luta contra os ingleses durante a Guerra dos 100 Anos (1337-1453).Nesta megaprodução de US$55milhões, Joana é retratada desde sua infância, quando já apresentava um comportamento estranho, tendo visões e ouvindo vozes, além de frequentar regularmente o confessionário.Depois do assassinato de sua irmã por um guerreiro inglês, a virgem transforma-se numa religiosa sanguinária e mística, conseguindo com seu fervor nacionalista, um exército do rei que liberta Orléans dos ingleses. Nas batalhas Joana deposita sua fé apenas em Deus e em seu nome promove matanças, derramando-se em lágrimas diante dos cadáveres. O filme chega a sugerir que sua fixação bélica seria produto da sexualidade reprimida na infância e nesse sentido suas tensões passam a ser direcionadas para a guerra e para religião. Traída e aprisionada em sua própria terra, Joana é vendida aos ingleses e acusada de heresia e bruxaria é condenada pela Igreja e queimada viva em Ruão no ano de 1431.Ao transformar-se num mito a figura de Joana Dâ?TArc, como tantas outras, são manipuladas para atender os mais variados interesses no decorrer da história. Joana Dâ?TArc, a mais popular figura histórica da França, virou sinônimo de patriotismo durante a Revolução Francesa (1789), foi canonizada pelo Vaticano em 1920 e hoje é venerada por políticos como Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional (partido nacionalista francês de extrema direita).

CONTEXTO HISTÓRICO
Joana Dâ?TArc surge na história da França durante a Guerra dos 100 Anos (1337-1453)entre franceses e ingleses. Encontramos dois motivos fundamentais para a guerra. O primeiro foi a intenção do rei da Inglaterra, Eduardo III em ocupar o trono francês. O segundo, foi de ordem econômica, caracterizando a disputa franco-britânica pela região de Flandres, rica na produção de tecidos.Em 1429, ocorre uma importante mudança nos rumos da guerra em favor dos franceses. Trata-se da libertação da praça forte de Orleans, dominada pelos ingleses, por Joana Dâ?TArc, até então vista apenas como uma camponesa mística. Sua liderança e carisma se aliaram e comandando um pequeno exército, Joana levou os franceses à vitória e contribuiu para exaltar o sentimento nacionalista, vital para posterior formação do Estado Moderno francês. Com a intenção de abafar o nacionalismo francês, Joana Dâ?TArc aprisionada, foi acusada pelos ingleses de heresia e bruxaria, para depois ser condenada por um tribunal da Igreja e queimada viva em Ruão em 1431.Após alguns anos, os franceses consolidaram importantes ofensivas, derrotando os ingleses em Formigny e Castillon (1453), quando foi conquistada a cidade de Bordeaux, finalizando a guerra.No contexto europeu, a Guerra dos Cem Anos não foi um fato isolado. O século XIV assinala a crise mais intensa do feudalismo, em transição para o capitalismo, sendo marcado pela trilogia "guerra, peste e fome". A guerra portanto, convive com a peste negra, que trazida do Oriente por mercadores italianos, desde a reabertura do Mediterrâneo pelas cruzadas, provocou em poucos anos a morte de 1/3 da população europeia. A fome foi uma consequência direta da devastação dos campos pela guerra e pela peste, afetando não só o feudalismo decadente, como também o capitalismo nascente, na medida em que limitava o consumo, para nova economia de mercado.

TÍTULO DO FILME: JOANA Dâ?TARC (Joan of Arc, França, 1999)
DIREÇÃO: Luc Besson
ELENCO: Milla Jovovich, John Malkovich, Faye Dunaway, Dustin Hoffman; 124 min.

OLGA


O filme de Jaime Monjardim, baseado na obra do escritor Fernando Moraes, estréia nos cinemas do país em 20 de agosto. Em São Paulo foi realizada uma pré-estréia para professores, onde foi distribuído o folheto "Olga - o filme como recurso didático", que reproduzimos a seguir. No mundo de hoje, a comunicação audiovisual ocupa grande parte da vida das pessoas. As relações estão cada vez mais rápidas e a transmissão de informações acompanha esse ritmo. Por isso, é importante utilizar formas de comunicação atuais e dinâmicas. Atualmente, uma boa maneira de chamar a atenção e despertar o interesse dos jovens é utilizar a linguagem audiovisual. O cinema, por exemplo, é um meio envolvente que pode tornar o aprendizado mais divertido e o ensino mais eficiente. A partir de um filme, é possível levantar diversos questionamentos. Baseado no romance best seller homônimo, Olga é um filme que mostra a vida da militante comunista Olga Benário Prestes - da infância burguesa na Alemanha à morte numa das câmaras de gás de Hitler, passando por seu treinamento militar na União Soviética, seu período no Brasil ao lado do marido Luís Carlos Prestes e o nascimento de sua filha, Anita Leocádia, em uma prisão da Gestapo e aborda questões históricas e sociais. O filem pode promover debates, não somente sobre história, como também sobre literatura, obras biográficas e adaptações literárias tanto para o cinema quanto para o teatro. O filme retrata importantes momentos da história do Brasil e do mundo a partir do ponto de vista da vida pessoal da militante comunista Olga Benário. O filme pode ser usado para estimular os alunos a estudarem o contexto histórico desde a Primeira Guerra Mundial até o início da Guerra Fria, além de provocar uma reflexão sobre ética e intolerância, tema em questão até os dias de hoje.
Um pouco de História Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha perdeu parte de seus territórios para a França, Polônia, Dinamarca e Bélgica. Os alemães também foram obrigados, pelo Tratado de Versalhes, a pagar indenizações às nações vencedoras. O país afundou em dívidas, o que gerou desemprego em massa. As tentativas frustradas de uma revolução socialista (1919, 1921 e 1923) e as sucessivas quedas de gabinetes de orientação social-democrata criaram condições favoráveis ao surgimento e expansão do nazismo no país. Em 1933, quando os nazistas subiram ao poder, pelo voto popular, Hitler pôs suas idéias em prática e suspendeu os direitos civis, dissolveu os partidos políticos, proibiu greves e fechou sindicatos. Com plenos poderes, o Führer decidiu erradicar todos que não considerava alemães puros e, assim, eliminar todos os traços de judaísmo na Alemanha. Também foram perseguidos comunistas, homossexuais e outras minorias. Em 1939, mais de 300 mil judeus já tinham sido expulsos da Alemanha. Depois da conquista da Polônia, ainda nesse mesmo ano, os judeus foram tirados de seus guetos e levados para campos de concentração. Os prisioneiros fisicamente aptos, eram selecionados para trabalhar até a morte em fábricas. Desde o começo da Guerra, os nazistas fizeram experi~encias com os presos, judeus em sua maioria, mas a morte em massa ocorreu através das câmaras de gás. Cerca de seis milhões de judeus forma exterminados durante o Holocausto.